RELOAD

Após mais de um ano fora do ar ou simplesmente desatualizado, resolvi fazer um RELOAD do "Concepções e Conjunturas". Buscando alternar a proposta entre artigos, notícias e sempre algumas concepções e na busca pela praticidade do assunto central que motivou a criação do blog: discutir e comprender um pouco de economia. Nesta ótica, darei início hoje a uma série de publicações de vídeos explicando e sistematizando conceitos econômicos. Vídeos estes que podem ser encontrados disponíveis em diversos sites e portais, estarão agora também disponíveis em "Concepções e Conjunturas"! Sempre, é claro, divulgando a fonte para não roubar os direitos autorais de ninguém.
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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Taxa de Desocupação estável em abril

NOTA RÁPIDA (SINTONIZADA COM OS PRINCIPAIS ÍNDICES DO MÊS)

Hoje pela manhã o IBGE divulgou uma nota com a taxa de desocupação referente ao mês de abril. Segundo o Instituto, a taxa de desocupação foi de 8,9%, permanecendo estável em relação ao mês anterior.




Mais informações: IBGE

quinta-feira, 16 de abril de 2009

"Canarana e Aurilac !"

Desconhecidas para muitos, e na verdade até entre si, estas duas cidades, em países e hemisférios diferentes, representam o marco da crise econômica atual. Canarana no interior do Mato Grosso, centro-oeste brasileiro. Aurilac, na região de Cantal, sul francês. Canarana e Aurilac símbolos dos contrastes gerados pela crise.

Desde o início, a crise econômica começou a revelar que por onde passasse iria trazer a tona os enormes contrastes causados pelo livre mercado sem regulações, ou melhor, a prática exata do "laissez faire, laissez aller, laissez passer". Nitidamente foi sendo revelado, em qualquer país, os enormes contrastes existentes dentro da sociedade. Muitos ganhando pouco, poucos ganhando somas enormes, alguns falindo outros expandindo. “Canarana e Aurilac”!

Canarana, 18000 habitantes, produtora de soja e carne, tem sua economia movida basicamente pela agricultura e pecuária, responsáveis por 80% da produção da riqueza local. Devido a crise, uma das principais empresas da cidade fechou as portas, dando início a um ciclo de demissões de aproximadamente 3100 pessoas, uma estimativa otimista. A pergunta local é como sobreviver em meio a crise?

Aurilac, recentemente a prefeitura da cidade realizou em Paris uma feira de emprego na tentativa de preencher 500 vagas disponibilizadas nas empresas do pequeno município. A crise da cidade é: falta de mão-de-obra. Como aproveitar as oportunidades?

Com certeza, hoje, uma família de Canaran gostaria de mudar para Aurilac. Regiões diferentes, cenários opostos, revelando o contraste que está marcando a crise econômica do início deste século!

terça-feira, 31 de março de 2009

Revelando a Demanda Real Brasileira

O avanço da exclusão social no desenho urbano de nossas grandes metrópoles é algo já conhecido por muitos dentro e fora do Brasil. E que infelizmente avança de forma arrasadora, afinal de contas, nos últimos anos deixou de ser algo específico da concentração urbana em grandes cidades, mas caminhando um pouco pelo interior do país veremos que esta realidade abrange municípios de todos os portes. Enfim, esta é uma realidade já bem conhecida por nós brasileiros e que buscamos diariamente possíveis soluções.

Por incrível que pareça, na última semana, fomos surpreendidos pela divulgação em tom de festa, feita pelo governo da elaboração de um plano de construção de 1 milhão de moradias populares em todo país. O objetivo principal seria subsidiar para as famílias de baixa renda o sonho da casa própria. Imediatamente, críticos em todo o país começaram a analisar até que ponto será real e efetivo o projeto, assim como até que ponto o mesmo está sendo mais uma jogada de marketing político para iniciar o ano eleitoral. Estão sendo questionados o cronograma temporal, a infra-estrutura inexistente que serrá necessária para servir de suporte as novas moradias, o orçamento também inexistente no caixa do governo entre outras coisas.

Porque falo da existência da surpresa diante da notícia. Nos últimos anos, vivenciamos um governo que em todo o tempo fez um marketing de um país fortalecido contra a atual crise, firmado na “igualdade” através de programas sociais. [Nada contra a execução dos programas sociais em andamento, pois são necessários]. Porém, pensando um pouco mais no cenário em questão, para mim uma coisa é certa, finalmente o governo revelou, mesmo que entre linhas, que tem consciência plena da imensidão da exclusão social no seio urbano do Brasil e o enorme déficit habitacional no país. Afinal, se planeja construir 1 milhão de moradias, é porque no mínimo existe 1 milhão de famílias que necessitam urgentemente de medidas de intervenção social.

Em um momento como este, onde o Estado revela ter consciência da real demanda de sua sociedade, é que nós cidadãos devemos agir de forma a buscar novas formas de regulação desta enorme desigualdade. Esta é raiz da proposta de uma economia solidária presente e ativa. Em que os projetos elaborados e executados vinculam-se exclusivamente no atendimento de necessidades vividas localmente pela sociedade. Diferente, do que busca suprir o mercado, através de sua especulação de auto-regulação entre demanda e oferta [a crise esta revelando que não é possível] ou um Estado “marketeiro”, que planeja superficialmente projetos para o bem-estar social, mas com o objetivo de se auto-promover politicamente deixando de lado o principal objetivo, a demanda da sociedade.

Enfim, estamos diante de mais uma oportunidade de convergir as articulações nas dimensões sociais, econômicas e políticas para trazer a realidade uma proposta visando saciar a demanda da sociedade. Se o governo assinalou com a luz verde, vamos levantar e fazer prevalecer os direitos de cidadão e regular a prática e execução deste projeto.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Qual será o próximo tema?

Campanha realizada pelo PNUD, busca ouvir estudantes de todo o Brasil para encontrar a resposta a seguinte pergunta: "O que precisa melhorar no Brasil para sua vida melhorar de verdade?". O objetivo da campanha é definir o próximo tema do Relatório de Desenvolvimento Humano do Brasil.

Eu, particularmente, gostei muito da proposta e acredito que devemos mobilizar o máximo de estudantes para participarem desta campanha. Afinal de contas, este relatório tem servido como base e plataforma para os principais projetos desenvolvidos pelo governo federal, estadual e municipal e também por movimentos sociais e ONG's.

Por isso disponibilizei aqui no blog a matéria divulgada pelo PNUD com os principais links da campanha:

Estudantes vão opinar sobre tema de relatório do PNUD

"Alunos brasileiros vão ajudar a definir o tema do próximo Relatório de Desenvolvimento Humano, opinando sobre o que deve mudar no país"

DAYANNE SOUSA
da PrimaPagina

Alunos de escolas públicas e particulares de todo Brasil vão ajudar a escolher o tema do próximo Relatório de Desenvolvimento Humano brasileiro. Na semana entre 16 e 21 de março, eles serão incentivados a responder à pergunta: “O que precisa melhorar no Brasil para sua vida melhorar de verdade?”.  As respostas serão enviadas para a campanha Brasil Ponto a Ponto, do PNUD, que desde setembro do ano passado está coletando a opinião dos brasileiros sobre os principais problemas do país, para poder definir o assunto do próximo relatório. 

A iniciativa é uma forma de incentivar a participação de jovens e adolescentes na campanha. “Ela é aberta a todos e queremos ouvir pessoas de diferentes características”, diz Moema Freire, uma das coordenadoras da Brasil Ponto a Ponto. “A inclusão de jovens e crianças é importante porque são eles que vão construir o futuro do país e é uma forma de eles participarem da [construção da] cidadania”, completa.

A forma de participação das escolas ficará a critério de cada instituição, explica Moema. Elas poderão planejar atividades individuais ou discussões em grupos. “Queremos que os professores levem o tema para a sala de aula”, diz a coordenadora. “É possível gravar um vídeo para as crianças que ainda não sabem escrever”, exemplifica. Além de vídeos, as escolas podem enviar o trabalho dos estudantes em formato de texto, pela internet ou pelo correio. 

O PNUD pede que as instituições de ensino interessadas em participar enviem um e-mail para o endereço rdh@undp.org.br com o nome da escola, a cidade e a série dos alunos envolvidos na atividade, para que o órgão possa fazer um controle do número de entidades participantes. Mas o e-mail não é um pré-requisito para a participação, nem é preciso esperar uma resposta do PNUD para iniciar o trabalho. 

Uma parceria com o CONSED (Conselho Nacional de Secretários de Educação) já garantiu a participação de escolas públicas da rede estadual de pelo menos 18 Estados: todos os da região Sudeste, oito no Nordeste, quatro na região Norte, além de Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Nesses casos, a Secretaria de Educação estadual é que será responsável pela mobilização.

Mesmo depois do término da campanha nas escolas, os estudantes poderão continuar participando, assim como o restante da população, por meio do envio vídeos ou textos para o site da Brasil Ponto a Ponto. A consulta vai até 15 de abril.Depois, todo material será analisado e o tema mais abordado fará parte do relatório, que será publicado entre o fim de 2009 e o início de 2010."

PRINCIPAIS LINK's: 





sábado, 14 de março de 2009

Uma semana para estimular ou desanimar

Sempre ouvimos falar que no Brasil o ano só começa a funcionar depois do carnaval. Para alguns setores da economia esta afirmação pode ser verdadeira, para outros nem tanto. Enfim, não é esta a discussão que quero trazer aqui, mas que podemos sim afirmar que depois desta semana os planejamentos e programas econômicos do Brasil, tanto públicos quanto privados, ficaram mais sólidos e consistentes do que antes do carnaval, isso é verdade.

Tivemos uma semana intensa, o IBGE divulgou vários índices os quais conduziram a expectativa do mercado. PIB do último trimestre de 2008, projeção final de crescimento de 2008, expansão das indústrias em todo o país, balanço de volume e renda do comércio varejista. E não ficou só nisso, a OMC também divulgou um relatório dizendo que o crescimento econômico do Brasil será favorecido pela maior concorrência dos mercados. E por fim tivemos mais um reajuste do Copom na taxa de juros do país. Para muitos, a semana foi simplesmente o respaldo que esperavam para concretizar seus planejamentos e programas de curto, médio e longo prazo dentro e fora do país.

Começando pela OMC, que divulgou no dia 09/03, um relatório, dizendo que desde seu último exame no ano de 2004, o Brasil tem perseguido a modernização progressiva de seu regime comercial. Com medidas que visam favorecer a ampliação da concorrência de seu mercado com o respaldo de seu crescimento médio nos últimos anos. Concluindo, o relatório afirma que existe ainda alguns desafios chaves a serem rompidos, porém caso o Brasil consiga permanecer neste ritmo, sem dúvida irá melhorar o nível de vida de sua população e manter seu crescimento econômico.

No mesmo ritmo da semana foi a vez do IBGE começar a divulgar seus relatórios. No dia 10/03, divulgou de uma só vez, notícias boas e ruins. A notícia boa foi o fechamento do PIB anual que revelou um crescimento de 5,1% e também o aumento do PIB per capita de 4,0%. Em contrapartida, o resultado do último trimestre do ano de 2008 revelou um recuo no PIB de 3,6%, sendo o maior recuo da série inciada em 1996, deixando todos receosos de uma possível recessão .

Em outra notícia divulgada pelo IBGE, no mesmo dia, os índices de produção industrial avançaram em 8 dos 14 locais pesquisados no período entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009. Com destaque para “...Paraná(6,8%), Pernambuco (6,4%), Santa Catarina (5.0%) e Rio Grande do Sul (3,6%), onde o crescimento foi acima da média nacional (2,3%). Os demais locais com taxas positivas nesse confronto foram São Paulo (2,2%), Minas Gerais (2,1%) região Nordeste (2,0%) e Pará (1,1%). Entre as áreas que reduziram a produção destacaram-se, com as quedas mais elevadas, Amazonas (-5,5%) e Espírito Santo (-4,6%).”

E fechando a semana e seu ciclo de publicações o IBGE, revelou que o Comércio Varejista do país teve um crescimento tanto no volume quanto nas receitas. O volume de vendas cresceu cerca de 6,0% em relação a janeiro de 2008 e acumulou um crescimento de 8,7% nos últimos 12 meses. Assim como a receita nominal cresceu 11,9% acumulando um crescimento de 14,7% nos últimos 12 meses.

Por sua vez, na noite do dia 11/03, o Copom decidiu por unanimidade um corte de 1,5% na taxa básica de juros Selic, levando-a para 11,25% ao ano (nível semelhante ao de março de 2008). Esta foi a segunda redução da taxa seguida e o maior corte desde novembro de 2003. Todos agora estão com os olhos voltados para o reflexo desta decisão nos níveis de inflação do país. Logo após o corte divulgado pelo Copom, alguns bancos seguiram a decisão anunciando cortes também na taxa de juros ao consumidor.

Enfim, foi uma semana intensa para qualquer um no país, desde analistas e especialistas do setor econômico financeiro aos consumidores e cidadãos brasileiros que vivem diariamente com os reflexos dos números divulgados. Uma coisa ficou bem clara, a interrogação continua no ar: em meio a crise estas decisões são suficientes para assegurar a economia brasileira longe da recessão e no caminho do crescimento econômico? Vamos aguardar e continuar acompanhando o desenrolar do ano.

Por João Baptista – jbaptistamj@gmail.com -

sábado, 21 de fevereiro de 2009

"Política de Valorização do Salário Mínimo" - alguns questionamentos....


...A questão agora é buscar compreender 

até que ponto o foco está no bem estar social 

do brasileiro ou em um mecanismo que ajude

a circular a economia em tempos de crise!... 


Assim eu terminei o último post neste blog. 


Decidi levantar este debate aqui no blog, pois muitas vezes pensamos que a melhor saída para todos os problemas é "entrada de dinheiro" ou "aumento dos recursos", embora muitas vezes a saída está em um melhor modelo de maximização de ganhos e produção, somado a uma redução de gastos e perdas. Enfim, concordo com o ponto trazido pelo DIEESE, de que o "...reajuste deve beneficiar cerca de 43,4 milhões de pessoas..." e que também o "...aumento deve permitir a entrada na economia brasileira, de aproximadamente R$27,8 bilhões ao longo do ano, e incrementar a arrecadação tributária em R$6,8 bilhões". Com certeza, todos sabemos que renda, consumo, economia local e diversificação de produtos são itens diretamente proporcionais. Aumentando a renda, aumenta o consumo que circula a economia local propiciando uma diversificação de produtos.


Entretanto, nosso foco não pode estar somente neste ponto de vista. Sei que em tempos de crise tendemos a pensar desta forma, porém devemos olhar outra conseqüência deste aumento progressivo. Um dos efeitos que pode ocorrer é sobre os microempresários que possuem um número determinado de trabalhadores em sua empresa. Diante do aumento do salário, sua despesa com mão-de-obra logicamente irá aumentar, se neste fluxo a sua produtividade não seguir o mesmo caminho (fato bem provável, devido a alta taxa de juros, debilidade de crédito e aumento dos preços de matérias-primas), será bem certo que para equilibrar receitas e despesas, a primeira opção de corte e reajuste será na mão-de-obra. Concluindo, gerando demissões e desemprego.


Portanto, nesta linha de raciocínio, devemos permanecer de certa forma contentes com o aumento do salário mas também cautelosos com alguns efeitos que podem surgir. Afinal de contas, qual desempregado que pode consumir.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

"Política de Valorização do Salário Mínimo"

Fazendo referência ao texto de alguns meses atrás sobre a lei do micro-empreendedor, esta semana saiu uma matéria no DIEESE - Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos - sobre o processo de valorização do salário mínimo no Brasil.

Abaixo segue o link para a matéria: DIEESE


A questão agora é buscar compreender até que ponto o foco está no bem estar social do brasileiro ou em um mecanismo que ajude a circular a economia em tempos de crise!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

"Lei do Microempreendedor Individual"



No Brasil, conta-se que mais de 4 milhões de trabalhadores são considerados informais. Esta semana a aprovação do projeto de lei chamado "Lei do Microempreendedor Individual" na Câmara dos Deputados me fez recordar de uma matéria do PNUD que eu li há alguns meses atrás e pensar se como país estamos dando um passo a frente rumo ao caminho da dignidade para nosso trabalhadores.

O PNUD divulgou na matéria que "Nas maiores regiões metropolitanas do Brasil, o emprego informal tira mais pessoas da pobreza do que o emprego formal, afirma um estudo publicado pelo Centro Internacional de Pobreza, um instituto de pesquisa do PNUD em parceria com o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada)." O estudo revelava a seguinte diferença: "Dos trabalhadores pobres no setor informal em um dado mês, 3% ficavam acima da linha de pobreza no mês seguinte. No setor formal, o percentual era de apenas 1%." 

Esta semana o Brasil deu um passo a frente no que diz respeito a criar plataformas que apoiem este perfil de trabalhador. O projeto de lei, que aguarda sanção do Presidente Lula para entrar em vigor, possibilitará a milhões de vendedores, pedreiros, eletricistas, feirantes legalizar o próprio negócio independente de seu tamanho. Serão considerados microempreendedores àqueles com faturamento de até R$36 mil por ano e no máximo um empregado.

Em resumo, o projeto garante ao trabalhador a facilidade de abertura de empresas, bastando se encaminhar à Junta Comercial, impostos e contribuições para a Previdência reduzidos a uma taxa de cerca de R$50 por mês. Dando o direito à aposentadoria, licença-saúde, licença-maternidade e por acidente de trabalho além de outros benefícios.

O brasileiro é conhecido por sua criatividade e forma como consegue solucionar seus problemas cotidianos e sobreviver. Acredito que um apoio como este servirá como um excelente estímulo para novos empreendimentos e sustentabilidade na luta contra a pobreza.

sábado, 22 de novembro de 2008

Queda livre global ....resumo da semana....

Um breve resumo da semana em gráficos.

Previsão de crescimento na região da OCDE:
 

Crescimento na Alemanha:
  

Saldo do comércio exterior da França:
 

Crescimento na Europa:

Bolsas Brasileiras, Americanas e índices gerais:

Talvez você pense que seu computador esta com problema, ou que hoje você não esta enxergando bem, mas quero dizer que o problema não é com você ou seu computador. Os gráficos acima não estão invertidos. Realmente a Alemanha, Zona do Euro, OCDE, Japão, bolsas brasileiras, americanas e índices gerais, estão todos em queda livre!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Uma notícia boa, em meio ao turbilhão econômico...

Para surpresa de muitos economistas e especialistas do mercado de trabalho, a taxa de desemprego ou desocupação divulgada pelo IBGE na manhã de hoje revelou um leve declínio e  manteve a estabilidade no ano. 

A taxa divulgada hoje foi de 7,5% diante dos 7,6% do mês passado. Porém se comparado ao mesmo período do ano passado teremos uma queda de 1,2 ponto percentual [outubro de 2007 a taxa foi de 8,7%]. Outro fator positivo da notícia de hoje foi que na linha histórica do índice, que é divulgado pelo IBGE desde 2002, a taxa deste mês é a segunda menor taxa registrada, atrás apenas do registrado em dezembro de 2007 que foi 7,4%. 

Em tempos de recessão e turbilhão financeiro, o índice nos traz um pouco de tranquilidade pelo menos hoje.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Entrada de Dinheiro não significa Desenvolvimento


Toda vez que fecha-se a balança comercial com lucro a idéia é que com certeza haverá ou houve desenvolvimento econômico. E quando pensamos em “desenvolvimento econômico”, seguimos a idéia na qual Celso Furtado constrói sua crítica, “a idéia de que os povos pobres podem algum dia desfrutar das formas de vida dos atuais povos ricos”. Esta semana estive lendo o relatório do Ministério de Desenvolvimento do Brasil, referente a balança comercial de exportações e importações dos municípios brasileiros, que me fez lembrar imediatamente de outro Relatório do Índice de Desenvolvimento Municipal, elaborado pela FIRJAN, divulgado em julho deste ano. Uma breve análise dos dois é suficiente para provar que entrada de dinheiro não necessariamente implica em desenvolvimento sócio-econômico. Confirmando Celso Furtado, “o aumento relativo de privilegiados...não impede, entretanto, que se mantenha e aprofunde o fosso que entre eles e a grande maioria da população...”.

Divulgado recentemente, o primeiro relatório mostra que “... 2.259 cidades brasileiras operaram no comércio exterior. De janeiro a setembro, as exportações brasileiras somaram US$ 150,868 bilhões e as importações US$ 131,212 bilhões, desempenhos que resultaram num superávit comercial (diferença entre o valor exportado e o importado) de US$ 19,656 bilhões.” De início, podemos nos surpreender com tal número, pois afinal de contas ele mostra que quase a metade do número total de municípios emancipados do país estão exportando desde matérias primas a bens de consumo, e olhando para o resultado de superávit relacionamos o lucro com desenvolvimento em tais regiões. Porém, em breve análise, perceberemos o contraste entre as regiões e a predominância da centralização e concentração de um pólo exportador.

Dentre as dez primeiras cidades que tiveram um maior fluxo de exportações no período de janeiro a setembro, encontramos quatro do estado de São Paulo, três do Rio de Janeiro, uma de Minas Gerais, uma do Pará e uma do Paraná, trazendo a tona mais uma vez a disparidade do crescimento econômico do Brasil,entre o fortíssimo eixo sudeste-sul e a debilidade de outras regiões, construindo o seguinte ranking:

1- São Paulo/SP – US$6,416 bilhões

2- São José dos Campos/SP – US$5,085 bilhões

3- Angra dos Reis/RJ – US$4,489 bilhões

4- São Bernardo do Campo/SP – US$3,392 bilhões

5- Paranaguá/PR – US$3,278 bilhões

6- Santos/SP – US$3,223 bilhões

7- Macaé/RJ – US$2,991 bilhões

8- Itabira/MG – US$2,422 bilhões

9- Parauapebas/PA – US$2,648 bilhões

10- Rio de Janeiro/RJ – US$2,530 bilhões

Paralelamente a estes dados podemos visualizar o segundo relatório, onde foi divulgado o índice de desenvolvimento municipal, que considera com igual ponderação três áreas de desenvolvimento humano – Emprego e Renda, Educação, Saúde. A pesquisa é realizada com um recorte municipal com alcance de todo o país. Sendo que o resultado final ficou resumido da seguinte maneira: “Considerando o grupo dos 100 primeiros colocados, 87 municípios estão no Estado de São Paulo. Os 13 restantes dividem-se entre Paraná (Maringá, Londrina e Curitiba), Santa Catarina (Brusque, Videira e Jaraguá do Sul), Rio de Janeiro (Macaé e Niterói), Rio Grande do Sul (Marau e Lajeado), Goiás (Catalão), Espírito Santo (Vitória) e Minas Gerais (Nova Lima).” Neste ponto, fazemos uma breve comparação entre o registro dos dez primeiros de um com os 100 primeiros de outro, pois se alinhássemos apenas os dez primeiros de cada ranking não seria possível uma visualização abrangente. Afinal de contas, no que tange a desenvolvimento municipal, o estado de São Paulo predomina nas 33 primeiras posições.

Na verdade, sabemos muito bem, que esta desigualdade na construção do desenvolvimento econômico brasileiro, a desigualdade entre regiões e a concentração de pólos econômicos não são frutos de acontecimentos recentes . Desde pós-segunda guerra mundial alinhado ao processo de industrialização vivido pelo país, o Brasil entrou em um processo de urbanização e desenvolvimento de pontos estratégicos em seu território. Resultando aglomerações espaciais e concentrações econômicas, fenômeno chamado por muitos de metropolização, que gerou nada mais nada menos do que o que os relatórios acima citados identificam em suas análises.

Este fantasma, de centralização, disparidades regionais, entrada de fluxos financeiros elevados porém baixas taxas de desenvolvimentos locais, nos assombra até hoje, afinal de contas, Angra dos Reis com um total de US$4,489 bilhões, Paranaguá com US$3,278 bilhões, Parauapebas com US$2,648 bilhões, ocupam respectivamente a 427º, 820º, 2154º posição no ranking de desenvolvimento municipal. Este breve olhar, só nos leva concluir que uma plataforma de lucro e superávit não está diretamente ligada a avanço econômico social do local. Infelizmente ainda não aprendemos com nossa construção histórica e permanecemos agindo da mesma maneira. Faz-se necessário a implantação de uma proposta de desenvolvimento conectada com a realidade de todo o país, não apenas com as regiões mais lucrativas e principalmente contextualizada com as novas questões que se abrem neste início de século. Quem sabe, uma proposta de “identificação das necessidades fundamentais da coletividade e das possibilidades que abre ao homem o avanço da ciência”.

  • Com trechos do livro O Mito do Desenvolvimento Econômico – Celso Furtado – 5ªEdição



terça-feira, 7 de outubro de 2008

"Entre tapas e beijos" - Parte II

A novela continua....resumo do último capítulo (post do dia17/09/2008):

...É intrigante, no que tange relações bilaterais entre países da América do Sul, o discurso de união, fortalecimento e desenvolvimento regional se torna um sonho longe da realidade que presenciamos. A pauta mais se assemelha a música brega : ”hoje estamos juntinhos, amanhã nem te vejo, separando e voltando, a gente segue andando, entre tapas e beijos”. Até quando nós como brasileiros iremos aturar este perfil de política internacional? ...

Primeiro personagem da história foi "El Hermano Argentino", logo em seguida, surgiu de forma surpreendente "La chipa Paraguaya", quando pensávamos que a história estava esfriando, apareceu em cena "el revolucionário Chaves" e por último mas não menos confuso, "el boliviano Moralles". E em todos estes capítulos, sobrou para nós, o "gigante do norte", Brasil.

Eu particularmente achei que a novela tinha acabado. Ingenuidade minha! Esta semana, mais um personagem apareceu, simplesmente de forma inesperada porém gerando muitas intrigas. Adiantarei o nome do tal sujeito, "el amiguito Equador" porém desta vez irei economizar nas palavras, aconselhando vocês a verem a continuação da novela clicando aqui , com comentários de Míriam Leitão. 


Quando o Brasil irá se posicionar, eu pergunto. Será que a novela irá continuar?

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

“Entre tapas e beijos”

Continuando a discussão de alguns meses atrás, as relações bilaterais e multilaterais hoje em dia podem muito bem ser resumidas como um jogo de reconhecimento e resistência, acordos e desacordos, aproximação e distanciamento. Principalmente se focalizarmos nossa atenção para os países do nosso continente. Atualmente, existe uma diferença muito grande no que diz respeito aos discursos e a prática em nossa região. No discurso, encontramos um sonho idealizador de fortalecer a união de blocos como o Mercosul – Mercado Comum do Sul – e a recém criada Unasul – União das Nações Sul-Americanas – mas na prática o que existe é uma realidade totalmente oposta ao discurso.


Para entender um pouco este cenário, precisamos retornar algumas semanas atrás, quando a Argentina enfrentou cerca de 120 dias de crise em sua política interna, com conflitos entre ruralistas e partidários do governo, neste mesmo período visualizamos o encerramento da Rodada de Doha com um fracasso por não alcançar um comum acordo entre seus membros. O equilíbrio foi estabelecido dentro da Argentina, porém na época da crise e durante o evento da OMC, o Brasil foi acusado pelos argentinos de traidor dos interesses sul-americanos, enfraquecendo a proposta de união do bloco econômico da região, simplesmente por querer ser ativo como exportador agrícola, caminho este que segundo analistas a Argentina iria se beneficiar e seguir o mesmo rumo.


No mesmo ritmo de desavenças internas afetando relações bilaterais conosco, entram na fila nossos amigos paraguaios. Jornais locais revelam rumores de um possível golpe de estado estar a caminho contra o recém eleito presidente Fernando Lugo, se o conflito se tornar real, negociações referentes a distribuição da energia produzida na hidrelétrica de Itaipu seriam interrompidas, afetando diretamente o sistema de distribuição e compra de energia brasileiro. Na mesma marcha, temos também a infindável intriga entre Venezuela, liderada por Hugo Chaves e os EUA. O último capítulo deste seriado ocorreu na última semana quando Chaves expulsou do território venezuelano o embaixador americano, sob acusação de estar apoiando militares locais contra uma possível tomada do poder, beneficiando os americanos. A situação se estremeceu quando Hugo Chaves cogitou a idéia de interromper o abastecimento de Petróleo para os EUA, seu principal cliente, e nós sabemos muito bem que quando o assunto é o ouro negro a questão é delicada.


Por último, mas não tão diferente, temos a Bolívia, o qual durante a última semana se tornou manchete de jornais internacionais quando decretou estado de sítio no Departamento (estado) de Pado, onde cerca de 15 pessoas já morreram e cerca de 106 estão desaparecidos, devido a conflitos armados no local. Em meio ao caos interno, Evo Morales recusou apoio da comunidade de países declarados amigos, liderados por Brasil, Argentina e Colômbia e de uma forma sem explicação o fornecimento de gás para o Brasil foi interrompido por cerca de 6 horas, afetando de forma inesperada o sistema de distribuição e abastecimento brasileiro. Nesta manhã um acordo entre as frentes que lideram o caos, governo e opositores, começou a ser estabelecido com mediações de algumas organizações multilaterais e não-governamentais, porém a fragilidade local e bilateral é real.


É intrigante, no que tange relações bilaterais entre países da América do Sul, o discurso de união, fortalecimento e desenvolvimento regional se torna um sonho longe da realidade que presenciamos. A pauta mais se assemelha a música brega : ”hoje estamos juntinhos, amanhã nem te vejo, separando e voltando, a gente segue andando, entre tapas e beijos”. Até quando nós como brasileiros iremos aturar este perfil de política internacional?

quarta-feira, 30 de julho de 2008

O descompasso argentino

Os interesses econômicos fazem com que as relações bilaterais sejam instáveis. Ora parecem haver acordos de longo prazo, ora já não existe diálogo entre os lados envolvidos. Alguns resumem as relações como um jogo de reconhecimento e resistência, acordos e desacordos, aproximação e distanciamento. E nessa linha diplomática encontramos Brasil e Argentina.

Há um mês, os argentinos estavam diante de uma grave crise política, econômica e social. Uma medida protecionista, tomada pelo governo, para proteger o mercado interno da crise financeira e da inflação global gerou um enorme desentendimento entre os agricultores e a bancada presidencial, afetando toda a rotina interna e externa do país. Logo em seguida o senado derrubou a medida acalmando os ânimos da sociedade. Porém, um fato a ser lembrado, foi a postura de ambos – governo e ruralistas – quanto a necessidade dos argentinos seguirem o exemplo da política brasileira [ ... enquanto o Brasil atua mirando uma função global, a Argentina assume suas posições pensando no âmbito nacional...Afirmou o Jornal La Nacion] Em seus discursos mencionavam o Brasil como um exemplo a ser seguido diante da oportunidade de crescer como exportador agrícola.

É bom ressaltar aqui que em recente relatório a FAO –Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação – considerou Brasil, Índia e Argentina como os três países do mundo com maior capacidade de produção para suprir o déficit atual de alimentos. Entretanto, nesta semana, “los hermanos” simplesmente mudaram de postura e em meio as discussões da OMC, acusaram o Brasil de traidor dos interesses dos sócios sul-americanos.

Realmente é difícil entender o posicionamento argentino, pois já ficou claro que atuar na defensiva só irá prejudicar o mercado interno, afinal foi o que ocorreu recentemente. Los hermanos não conseguem entrar no ritmo do tango e colocam a culpa nos outros dançarinos.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Privatizar os ganhos e socializar as perdas

Nas últimas semanas o burburinho dos principais jornais internacionais estão em torno das pautas das reuniões do G8 e da recente reunião da OMC. É notório que a postura de alguns países que conduzem os debates, ocasionam o aumento da pressão sobre a crise planetária que vivemos hoje. Na reunião do G8, um dos principais focos de discussões foi a possível inclusão de alguns países emergentes. Atualmente o bloco é formado por EUA, França, Alemanha, Japão, Itália, Canadá, Grã-Bretanha e Rússia, a proposta, conduzida pelo presidente da França juntamente com Tony Blair, seria o alargamento da bancada, tornando-se G13, com a inclusão de Brasil, China, Índia, México e África do Sul.

Porém, de imediato, conduzidos pelos EUA, a maioria dos países do grupo foi contra a proposta, deixando claro uma postura protecionista. O que vai contra a tendência e a análise de vários especialistas no assunto, que afirmam que o grupo não possui mais representação na geopolítica global e se faz necessário a inclusão dos países emergentes por estes representarem uma parcela considerável da população e da economia mundial.

Já na referida reunião da OMC, o foco de discussão está centrado nas negociações do livre comércio agrícola. A reunião que caminha com fortes entraves, terá seu final na próxima sexta-feira, porém a postura protecionista permanece visível nos países desenvolvidos. Em meio a crise energética, alimentar e financeira do cenário internacional atual, uma coisa é clara: os desenvolvidos, conduzidos principalmente pelos EUA, permanecem na defensiva protecionista com medo de serem ultrapassados pelos emergentes, estes em seguida, por tamanha sede em aproveitar a oportunidade atual de crescimento e expansão, estão se perdendo no caminho e entrando em desentendimentos entre si, e por último encontramos os dependentes que não possuem direito a voto logo não conseguem se pronunciar, alastrando ainda mais a fome e crise social em seus domínios.

A questão que fica para pensarmos é, nas palavras de Nouriel Roubini, economista americano, será que irão “privatizar os ganhos e socializar as perdas”?